La Chola Poblete: Pop andino

La Chola Poblete, Sem título, da série Hasta la tristeza es distinta con el Sol [Até a tristeza é diferente com o Sol], 2025. Acrílica sobre tela, 200 × 200 cm. Foto: Lista Registra Studio
26 Fevereiro 2026
Encerra: 2 agosto 2026
O MASP apresenta, de 6 de março a 2 de agosto, La Chola Poblete: Pop andino, primeira exposição individual da artista La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) no Brasil. A mostra reúne trabalhos que partem da arte pop e a ressignificam em um contexto latino-americano, articulando discussões sobre gênero, sexualidade, identidades cholas e os efeitos do colonialismo.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP, a exposição “reflete sobre os legados coloniais na América Latina, partindo da biografia da artista para discutir as presenças indígenas, populares e híbridas na Argentina”, como afirma Muniz.
Chola é um termo marcado pelo uso recorrente como injúria racial contra mulheres de ascendência indígena em países da região dos Andes, como Argentina, Peru, Equador e Bolívia. Ao incorporá-lo em seu nome e discuti-lo em sua obra, La Chola Poblete desmonta estigmas e estereótipos por meio de sua reapropriação e rearticulação. Na série de aquarelas Vírgenes cholas [Virgens cholas] (2022 — em processo), a artista une divindades andinas e católicas, referências à música e à moda, frases de protestos políticos e dados autobiográficos. Juntos, esses elementos assumem uma dimensão coletiva ao evidenciar conflitos e potencialidades vividas por artistas oriundos de grupos historicamente marginalizados.
Nos cartazes PAP ART / Pop Andino (2023), dispostos em uma das paredes de abertura da exposição, La Chola Poblete constrói uma persona de cantora em turnê, em diálogo com a cultura pop e a lógica da divulgação musical. Entre suas referências, está a capa do álbum ARTPOP, de Lady Gaga. A narrativa sobre a chola como uma figura a ser admirada também atravessa o Manifesto Pop Andino (2023) — obra sonora que dá título à exposição —, disponível nas principais plataformas de áudio e que se inicia com a frase: “Meu gênero é artista”. Ao mobilizar o formato do manifesto, Poblete reposiciona referências consagradas da história da arte, reinscrevendo-as a partir de sua própria experiência.
Em Il Martirio di Chola, fotoperformance na qual mobiliza códigos do retrato barroco, como a pose em três quartos e o fundo escuro, La Chola Poblete incorpora signos da identidade chola, como a bolsa de aguayo, um tecido tradicional andino, e as tranças, equiparando os sofrimentos das cholas aos de Cristo. O título em italiano remete à tradição clássica da pintura europeia, inserindo a artista no cânone da história da arte ocidental. Ao articular referências do barroco e do pop, dois períodos marcados pela circulação massiva de imagens, a artista se apropria criticamente desses legados para tensionar narrativas canônicas e marginalizadas.
MASP
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista.
São Paulo/SP, Brasil
Visitação: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)
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