C& América Latina cura programa de cinema para a Cinelogue com filmes de diretores Afro-indígenas

Still do filme Sugar Island, 2024, direção de Johanné Gómez Terrero. Cortesia da produção do filme.
14 Julho 2026
Revista América Latina
2 min de leitura
Fabulações Materiais: Diretores de Cinema Afro-Indígenas da América Latina é curado por Will Furtado, Editore-Chefe da C& América Latina, e inclui a encomenda da C&AL holding death close (mantendo a morte perto), de enorê.
Como é existir plenamente na América Latina? Os filmes deste programa respondem a essa pergunta através da presença e da fabulação: uma mãe e um filho aprendendo a se conhecer numa língua de contradição; duas jovens negras encontrando o amor num campo de futebol; um menino que tem o cabelo longo cortado em seu primeiro dia de aula; uma jornalista que usa sua língua indígena esquecida para desvendar a cumplicidade da mídia na desapropriação.
Essas obras praticam o que a filósofa Beatriz Nascimento chamou de resgate histórico – revisar a história a partir da perspectiva dos povos Negros e colonizados. Para muitas comunidades na América Latina, a arte e o cinema são formas de resgatar a história do colonialismo em curso, dando sentido ao passado, e são modos de construção de mundo ao reimaginar tradição. Esta seleção apresenta essas visões contemporâneas por meio de uma variedade de diretores e artistas visuais transcontinentais e transgeracionais, afrodiaspóricos e/ou indígenas de Abya Yala-Pindorama – conhecida comumente como América Latina e Caribe.
Suas escolhas formais são tão variadas quanto suas geografias: linguagens híbridas de documentário e ficção; ficção científica indígena ambientada em um 2084 devastado pelo clima; o ancestral e o algorítmico contidos no mesmo enquadramento. Os filmes do programa desafiam o olhar da dominação ao retratar personagens complexos, contraditórios e corporificados. Eles destacam a beleza da vida cotidiana, as manifestações complicadas do luto, o calor da intimidade escolhida e a reconexão com a espiritualidade e a cultura ancestrais.
O programa inclui filmes de Xun Sero, Johanné Gómez Terrero, Alberto Muenala, Itandehui Jansen, Edgar Sajcabún, Aldemar Matias, Vitória Liz, Letícia Batista, Monica Maria Garabito, enorê, Eleggua Luna Laverde e Sairah Choque. Ele percorre México, Guatemala, Cuba, República Dominicana, Haiti, Colômbia, Peru e Brasil; e fala em quéchua, kaqchikel, mixteco, tzotzil, espanhol e português. Com essa combinação, o programa reflete a insistência das comunidades Afro-indígenas em continuar imaginando futuros alternativos, ancorados em suas próprias realidades materiais.
A Cinelogue é uma plataforma on-line de curadoria cinematográfica, streaming global e diálogo crítico, com forte foco no cinema da Maioria Global.
O programa de filmes pode ser assistido em streaming até o final de 2026.

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