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A convergência das vidas africanas e indianas nas pinturas de Kelly Sinnapah Mary

Illustration of a multi-armed, dark-skinned figure covered in leaves, crowned and riding a three-eyed tiger in a grassy field under a blue sky.

Kelly Sinnapah Mary, The Book of Violette: The Great Camouflage (O livro de Violette: a grande camuflagem), 2025. Acrílico sobre tela 198,1 x 340,4 cm. Cortesia da artista e de James Cohan, Nova York. Foto: Dan Bradica Studio

Ao mesmo tempo em que promoviam divisões raciais, potências coloniais submetiam vidas africanas e indianas ao mesmo sistema de exploração nas plantações no Caribe. Kelly Sinnapah Mary, artista de Guadalupe, retrata essas “complexas intimidades” corporificando a experiência caribenha de ruptura e conexão. [Leia abaixo uma versão em Crioulo deste artigo. | Zot pé touvé artik-tala an kréyol Matinik pa anba.]

Quando meus avós paternos deixaram a Guiana rumo aos Estados Unidos, confiaram meu pai e seu irmão aos cuidados da irmã de meu avô, Clarice, uma mulher indo-guianense sem filhos próprios. Meu pai é Dougla (ou Batta, nas ilhas francesas – uma pessoa de ancestralidade africana e indiana) e foi criado em meio a tensões raciais frequentemente não expressas, mas sentidas, entre os diferentes lados de sua família. Tais tensões estão presentes na história colonial da Guiana, como, por exemplo, nos motins de Ruimveldt, em 1905. Neles, seguindo a estratégia de “dividir para governar”, as autoridades coloniais britânicas utilizaram trabalhadores indo-guianenses para substituir trabalhadores afro-guianenses em greve. Os motins deixaram evidente como a exploração das divisões raciais constituía uma tática persistente e arraigada na sociedade de plantações da Guiana. A forma como essas políticas se infiltraram e provocaram tensões em minhas próprias relações familiares revela a dificuldade (e a necessidade) do entrelaçamento entre os povos africanos e indianos de toda a região.

A painting of a person with long dark hair and dark skin patterned with green leaves and creatures, lying on a pillow in green grass with an open book.

Kelly Sinnapah Mary, The Book of Violette: The Great Camouflage (O livro de Violette: a grande camuflagem), 2025. Acrílico sobre tela 198,1 x 340,4 cm. Cortesia da artista e de James Cohan, Nova York. Foto: Dan Bradica Studio

Apesar do que essa tensão possa indicar, as vidas dos povos indianos e africanos da região estão profundamente conectadas. Após a abolição da escravatura, pessoas da Índia contratadas para trabalhar foram levadas ao Caribe para substituir as pessoas africanas anteriormente escravizadas nas plantações. Esse novo sistema vinculou as vidas africanas e indianas ao mesmo regime de exploração, ao mesmo tempo em que as separava sistematicamente por raça. Muitas das pessoas contratadas desembarcaram primeiramente na Guiana, para depois serem dispersadas rumo ao trabalho árduo e incansável em plantações em todo o Caribe. Ao reconhecer nosso passado, precisamos situar o Caribe não apenas como uma região geográfica, mas também como uma convergência de povos unidos por essas complexas intimidades.


É nesse contexto que a obra da artista guadalupense Kelly Sinnapah Mary repercute com tanta força. Sinnapah Mary aborda o caribenho não como um legado imutável, mas como um processo contínuo reconstruído tanto pela memória quanto pela imaginação. Sua arte leva em consideração os entrelaçamentos das histórias africanas, indianas, indígenas e europeias, explorando como o passado continua a influenciar a vida contemporânea no Caribe. Durante grande parte de sua vida, Sinnapah Mary se identificou como afro-caribenha, só tendo descoberto sua herança Tâmil ligada ao sistema de trabalho contratado depois de adulta. A jornada dessa identidade e percepção é evidente em sua obra, e é talvez um lembrete de que ser do Caribe é abarcar tudo isso: histórias indígenas, africanas, indianas, chinesas, e outras semelhantes. É compreender que a dor compartilhada de nosso passado só pode ser acolhida e curada quando nos unimos. Sinnapah Mary recorreu ao conceito de Tremblement, de Édouard Glissant (uma recusa ao pensamento fixo, imperial) como elemento central de sua prática, oferecendo uma forma de construir o Eu por meio da relação sem apagamento.

Painting of a woman with green botanical patterns on her skin, three eyes, and braids, sitting at a table with a teapot, tea, and cake against a background of lush foliage.

Kelly Sinnapah Mary, The Book of Violette: Man Yaya taught me about plants (O livro de Violette: Man Yaya me ensinou sobre as plantas), 2025. Acrílico sobre tela 162 x 114,3 cm. Cortesia da artista e de James Cohan, Nova York. Foto: Dan Bradica Studio

Até meados do século 20, nossas autoimagens frequentemente não eram nossas, mas reflexos das percepções que viajantes europeus tinham de nós na qualidade de súditos imperiais. As imagens coloniais de mulheres trabalhadoras da Índia Oriental em todo o Caribe as retratam em poses cuidadosas, belamente adornadas com saris, rotuladas anonimamente como "garota da Índia Oriental", ou "Coolie girl". Violette, a avó da artista, aparece em várias de suas obras recentes com um senso íntimo de autoridade ancestral. Por meio de Violette, Sinnapah Mary reinventa o imaginário das mulheres indo-caribenhas, transformando-as em figuras de poder espiritual, emocional e cultural. Essas mulheres, um dia apagadas e objetificadas nos registros coloniais, são reanimadas na qualidade de portadoras da memória e agentes da resistência.

A diptych painting shows a dark-skinned woman reclining in green grass, her body adorned with painted leaves, flowers, and insects, resting on a white patterned blanket.

Kelly Sinnapah Mary, The Book of Violette: Invisible Vegetation of Desire (O livro de Violette: vegetação invisível do desejo), 2025. Acrílico sobre tela 100 x 200 cm. Cortesia da artista e de James Cohan, Nova York. Foto: Dan Bradica Studio

The Book of Violette: Invisible Vegetation of Desire (O livro de Violette: vegetação invisível do desejo, 2025) é uma pintura na qual o corpo de Violette é gravado com plantas e insetos, invocando a relação com o mundo natural que marca muitas infâncias caribenhas. As plantas recordam como as comunidades africanas, indianas e indígenas transmitem o conhecimento ecológico de maneiras que vão além da linguagem, persistindo por meio de práticas corporificadas. A repetição da flora “tatuada" em múltiplas imagens de Violette a conecta visual e simbolicamente à terra, tornando-a inseparável dela. A obra é uma reminiscência das invocações feministas latino-americanas de cuerpos-territorios, uma matriz decolonial inspirada nas mulheres indígenas das comunidades de base, onde o corpo é um terreno vivo moldado por histórias coloniais, violência estatal e resistência. Inseparável das lutas por terra e soberania, por meio de Violette, testemunhamos o corpo não meramente situado dentro do território, mas constituído por ele.

Em Man Yaya Taught Me About Plants (Man Yaya me ensinou a respeito das plantas, 2025), Violette está sentada tomando um chá da tarde de estilo colonial “high tea” (um vestígio da cultura imperial britânica popular em todo o Caribe), mas o terceiro olho marcado em sua testa invoca a cosmologia hindu. Quando minha mãe se deparou com essa imagem, ela a interpretou imediatamente como uma referência a uma pessoa que "vê longe" – no Caribe, alguém com a capacidade de intuir, que talvez já tenha estado aqui antes. Na verdade, assim como o próprio Caribe, a imagem pode conter todos esses significados ao mesmo tempo. Essas camadas de referências – do hinduísmo a sistemas espirituais africanos, do folclore caribenho às fábulas francesas – criam um campo de possibilidade expressiva onde convergem a história, a identidade e a imaginação da artista. A obra de Sinnapah Mary recusa a transparência imediata, utilizando, em vez disso, a linguagem do Caribe, na qual a identidade é fluida, relacional e emerge constantemente.

A large painting of a green-skinned figure in a patterned blue and white veil, holding a rosary, against a green background, is flanked by four purple flower sculptures with hanging roots on a white gallery wall.

Vista da instalação, Kelly Sinnapah Mary, Tout germe encore dans la nuit des terres [Tudo ainda germina na noite das terras], James Cohan, 43 Rue de Montmorency, Paris, França, 20–26 de outubro de 2025. Foto: Erin Brady – Dan Bradica Studio

Nas primeiras páginas de Coolie Woman (2014), livro que traça a história de uma trabalhadora contratada indiana, a autora Gaiutra Bahadur escreve que, mesmo quando uma língua foi fraturada e parcialmente perdida, ainda podemos “envolver nossa língua possessivamente em torno do mundo que ela expressa e implica”. Volto a pensar nisso quando reflito sobre os mundos que esses barcos separaram quando transportaram pessoas africanas escravizadas através do Atlântico e, mais tarde, pessoas indianas mais além do Kala Pani até o Caribe. Apesar das diferenças de condições e de status, ambas as jornadas, marcadas pela ruptura, acabaram por vincular o povo africano e o indiano às mesmas plantações. Com a obra de Kelly Sinnapah Mary em minha tela e a família de meu pai em minha mente, lembro-me de que nosso ponto de partida em comum não é simplesmente uma perda, mas também uma conexão. Nosso movimento forçado e compulsório nos espalhou por diferentes ilhas, onde falávamos línguas distintas e nos voltávamos para impérios diferentes; esse fato, porém, produziu um povo eternamente ligado sob essas diferenças. Quando reunimos nossos fragmentos, não estamos juntando passados diferentes, mas reconhecendo que chegamos, mesmo de formas diferentes, ao mesmo Caribe.

Versão em Crioulo: Lapenti Kelly Sinnapah Mary ka montré manniè lavi manmay l’Afrik ek manmay l’End suiv an menm chimen

Até la Karayib, sé gwo-mòdan kolonizatè-a lianné lavi moun lAfrik kon lavi moun lEnd adan an menm sistem pwofitasion asou bitasion, toupannan yo té ka mété doubout dé siparézon rasial ant yo. Kelly Sinnapah Mary, ki sé an awtis Gwadloup, ka mété sé “liannaj tjokanblok tala” douvan,lè i ka penn manniè la Karayib viv délala ek liannaj.

Lè gran-papa mwen épi gran-manman mwen koté papa kité Guiyana pou alé o Zétazini, yo kité papa-mwen épi frè’y ba Klaris, ki sé sésé gran-papa mwen — an guiyanez kouli ki pa té ni pies yich. Papa-mwen ki té Dougla (oben bata, kon yo ka di adan sé zil fransé a, pou palé di moun mélanjé neg épi kouli) vini gran adan an lanbians éti koulè lapo té an pwoblem, menm si moun pa té ka palé di sa, men nou, nou té ka bien santi’y jik adan fanmi-nou.

Sé pwoblem-tala ka pran chous-yo adan listwa kolonial Guiyana — kon gaoulé-a ki fet Ruimveldt an 1905, lè sendika té ka voyé labou, pas gouvènman kolonial l’Anglitè té ka ba ouvriyé kouli travay, pannan sé neg-la té ka fè grev; tousa pou monté yo yonn kont lot ek ba pep-la mwens fos. Sé gaoulé-tala ouvè zié moun asou manniè sé blan-an, dépi antan sosiété bitasion atè Guiyana, té ka chèché mété lorijin sé ouvriyé-a anmitan tout bagay, konsi sa té an pwoblem. E pou toutbon, sa rivé mété bon pwoblem adan fanmi-mwen, yonn té ka gadé lot gwo-zié, pas péyi-a pa rivé — menm si sa té nésésè — fè neg épi kouli migannen.

Magré sa sé kankan-tala sé pé fè moun konprann, lavi neg épi kouli, atè sé péyi-tala, lianné bon lianné. Apré labolision lestravay, yo mennen travayè kouli sou kontra adan zil la Karayib pou pran plas sé Afritjen-an ki té djouk asou sé bitasion-an. Nouvo sistem-tala té ka mété lavi sé Afritjen-an ek ta sé Kouli-a anba an mem larel pwofitasion, mem si yo té séparé silon lorijin-yo. Sé dabò atè Guiyana anlo travayè sou kontra débatjé, ek apré sa, yo simayé yo asou bitasion adan tout la Karayib pou djoubaké red. Lè nou ka ouvè zié-nou asou listwa-nou, nou dakò pou di la Karayib sé an bannzil, men fok nou wè’y osi kon an koté éti dives pep rivé pou viv an menm model lavi tjokanblok ki lianné yo.

Sé adan konteks-tala, travay Kelly Sinnapah Mary, ki sé an awtis Gwadloup, ka montré tout fos-li. Pou Sinnapah Mary lidantité manmay la Karayib sé pa an matjoukann doubout dwet-pitjet, sé an lidantité ki ka brennen, ki ka vansé, ki ka mofwazé silon sa lamémwa ek limajinasion ka pòté. Travay-li a ka dékatiyé migannaj l’Afrik, l’End, l’Ewop épi sé prèmié pep-la,pou montré migannaj-tala ka kontinié ba nou lendik asou lavi la Karayib jòdijou. Pannan yonn-dé lanné, Sinnapah Mary té ka wè koy kon an désandan l’Afrik atè la Karayib; sé selman lè i vini an gran-moun, yo palé’y di matjoukann tamoul li a.

Adan tablo’y, nou pé bien wè chimen i fè pou batjé adan pwop lidantité’y ek konprann li — lè ou sé an manmay la Karayib, ou pa pou kité ayen asou koté : ni listwa sé prèmié pep-la, ni listwa l’Afrik, l’End, la Chin épi ta tout sé lézot-la.

Fok konprann listwa-nou anchouké adan an doulè ki menm-parey ba nou tout la, ek pou djéri’y fok konprann ki moun nou yé pou toulbon. Pou tout travay-li a, Sinnapah Mary apiyé asou sa Edouard Glissant kriyé “Temblement” — kivédi pa ni an sel manniè pansé ki ka mennen — sa ki ka ba’w an chans konstwui kow adan an liannaj yonn-a-lot san bliyé pèsonn.

Pou nou tout la, jik nan mitan XXem siek-la, pòtré nou té pé jwenn pou montré sa nou ka sanm pa té ta nou, mé pito ta sé vwayajè éwopéyen an, pas nou té anba jouk-yo.Asou foto oben désen, sé kolon-an té ka montré sé kouli sou kontra a, bien ganmé, épi tout sari-yo mé san ba non-yo sof « Fille de lInde orientale » oben « Fille coolie ». Nou pé wè Violet, ki sé gran-manman awtis-la, asou anpil tablo i fè pa ni si lontan di sa ; nou pé wè’y épi tout djokté gangan’y miganné épi an manniè viv ki ta’y. Gras a Violet, Sinnapah Mary ka ba an lot limaj di sé fanm kouli a adan la Karayib, i ka ba yo an fos lespri, an fos lémosion épi an fos adan kilti-a. Fok di sé madanm-tala ki té kon dé pòpot adan lé archiv kolonial, ka viré-pran an bel kanman, davwè yo ka transmet ek palantjé sa ki fet avan.

Le Livre de Violette : Végétation invisible du désir (2025) sé an tablo éti tout lapo Violet matjé épi plant ek ti-bet, pou fè nou sonjé manniè lavi timanmay la Karayib lianné épi lanati. Sé plant-lan ka fè nou sonjé manniè pep l’Afrik, l’End oben sé zil-la kité mes laliwonnay yo ba nou, pa selman épi mo, mé osi épi jes ki ka kontinié viv. Tout sé flè-tala ki penn anlè lapo Violet la, tablo apré tablo, ka lianné’y épi latè, kon si i ka fè yonn épi’y. Sé an bel senbol. Travay-tala ka fè nou sonjé lapriyè pou sé cuerpos-territorios la (sé kò-a kon dé mòso tè) fanm atè l’Amérik latin ka fè, pou défann dwa fanm – dapré an fondas dékolonial ki ka vini di sé prémié fanm-lan ki fè prèmié katjilasion-tala; kò-a ka riprézanté an mòso tè vivan ki mofwazé épi listwa kolonial, violans sé gouvènman-an, épi rézistans. Pas tousa lianné épi gaoulé ki fet pou trapé tè ek dominé pep, nou ka bien wè, pou Violet, kò-a pa selman anchouké adan an té, i sé tè-a.

Adan Man Yaya ma appris les plantes(2025), Violet asiz pou an High tea kolonial, ki sé an mes moun l’Anglitè ni ek kité adan tout la Karayib anglé pou lapéti enpérializm kiltirel yo a— mé an mem balan-an Violet ni an twaziem zié anmitan fwon’y ki ka fè nou sonjémanniè lavi ka woulé adan le mond ba sé Endou-a. Lè manman-mwen wè imaj-tala, lamenm i di sé té an potré pou montré an moun ki ka wè ladivini, an moun atè la Karayib ki ka fè séyans oben ki pétet ja vini isi-a an jou. A bien gadé, imaj-tala pé ni tout sé sans-tala an mem tan ek la Karayib pé sanblé tout sé sans-tala tou. Tout sé tras-tala — ki rélijion endou, ki kwayans l’Afrik, ki matjoukann la Karayib, ki fab la Frans — tousa ka fè an lablanni posibilité éti listwa, lidantité ek limajinasion awtis-la ka migannen.Travay Sinnapah Mary pa ka anni di sa i ni pou di an manniè blip; i ka palé palé la Karayib, la éti lidantité ka woulé an manniè flouz, ka woulé adan an manniè viv yonn-a-lot, yonn épi lot, ek ka viré-envanté koy chak lè.

Coolie Woman (2014), sé liv Gaiutra Bahadur ki ka palé di lavi an madanm kouli sou kontra. Adan sé prèmié paj liv-li a, Gaiutra Bahadur ka esplitjé “lè an lang an chèpi oben lè disparet pres pran’y, nou pé kontinié di sé ta nou ek konprann tout lavi-a ki ka alé épi’y la”.

Mwen ka viré-katjilé asou sé pawol-tala, lè mwen ka sonjé manniè sé bato-a dépotjolé tout lavi neg l’Afrik, lè yo fè yo janbé l’Atlantik pou djouké yo, menm manniè, pli ta,yo dépotjolé tout lavi sé Kouli-a, lè yo fè yo janbékala pani pou rivé adan la Karayib. Abo sé té dé sitiyasion bien diféran, sé dé transbòdaj-tala — ki mété yo tou lé dé an délala — lianné sé neg l’Afrik, kon sé Kouli-a ki sòti ann End , épi sé menm bitasion-an. Epi travay Kelly Sinnapah Mary asou ékran-an anba zié-mwen épi lavi fanmi papa-mwen an tet-mwen, mwen ka sonjé sa ki ka fè nou ka sanm : sé pa manniè tousa koumansé, kivédi manniè nou ped kònou, mé sé osi bokantaj-la nou té blijé fè a. Déplasman-tala, nou pa chwézi fè’y, yo simayé nou asou pliziè zil, éti nou té ka palé lang diféran ek nou té ka lonviyé dé péyi kolonizatè diféran — mé magré sé diférans-tala, tousa mété doubout an pep lianné pou toujou. Lè nou ka mété kantékant sa nou chak-la ka riprézanté a, sé pa mòso listwa séparé nou ka mété: nou blijé admet sé atè la Karayib nou tout la rivé, ek ni an sel Karayib…pa ni dé.


Kai Trotz-Motayne wè jou Tkaronto/Toronto . I ka fè wouchach ek ka matjé liv. I ka touvé lidé sé liv-li a adan manniè diféran moun la Karayib élivé’y.

Kelly Sinnapah Mary ni an kanman ki ta’y. i ka miganné lapenti, skilti épi montaj. Travay-li ka voyé douvan liannaj ant matjoukann, litérati, épi lanati toupannan i ka chèché dé répons asou léritaj kolonial épipwoblem laliwonnay jòdijou.

Translation: Marie-Josée Desnel

Sobre o autor

Kai Trotz-Motayne

Kai Trotz-Motayne é pesquisadora e escritora guiano-canadense de Tkaronto/Toronto. Seu trabalho é inspirado nas muitas pessoas do Caribe que a criaram.

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